Fármacos e gravidez


Reproduzido de: Formulário Terapêutico Nacional 2008: Rename 2006.

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Série B. Textos Básicos de Saúde

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos

Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos

Brasília / DF – 2008

 

Apêndice A – Fármacos e Gravidez 


  • Rogério Hoefler
  • Cláudia Garcia Serpa Osorio-de-Castro
  • Isabela Heineck
  • Luciane Cruz Lopes
  • Miriam de Barcellos Falkenberg
  • Sheila Silva Monteiro Lodder Lisboa

 

Durante a gravidez, a mãe e o feto formam uma unidade funcional inseparável. O bem-estar materno é pré-requisito absoluto para o ótimo funcionamento e desenvolvimento de ambos. Conseqüentemente, é importante, ao tratar a mãe, considerar a máxima proteção ao feto.

Atualmente, o conceito de barreira placentária deve ser descartado. Qualquer fármaco administrado em dose adequada à gestante é capaz de atravessar a placenta em alguma extensão, a menos que seja biotransformado durante a passagem ou seu peso molecular e baixa solubilidade em lipídios limitem a transferência transplacentária. Quando se prescreve medicamento a uma gestante, deve-se sempre ter em mente que o feto é potencial recebedor do mesmo.

Fármacos podem ter efeitos perigosos sobre o feto em qualquer momento durante a gravidez. É importante lembrar disso quando se cogitar a prescrição de um medicamento para uma mulher em idade fértil ou para homens com pretensão de se tornarem pais.

Contudo, o medo desmedido do uso de medicamentos durante a gravidez também pode ser perigoso, porque pode induzir a não-tratamento de doenças, perda da adesão materna à prescrição, uso de doses insuficientes de medicamento e resultados falhos. Isso constitui risco ao bem-estar materno e também pode afetar o feto.

É importante conhecer antecedentes de risco e prevalência de desfechos adversos induzidos por medicamentos na gravidez.

Malformações congênitas relevantes ocorrem em 2% a 4% de todos os nascidos vivos, e até 15% de todas as gestações diagnosticadas resultam em perda fetal. A causa desses desfechos adversos na gravidez é compreendida apenas em uma minoria dos incidentes.

Durante o primeiro trimestre, os medicamentos podem produzir malformações congênitas (teratogênese), sendo maior o risco da terceira até a décima primeira semana de gravidez. Durante o segundo e o terceiro trimestres, os fármacos podem afetar o crescimento e o desenvolvimento funcional do feto ou ter efeitos tóxicos sobre os tecidos fetais. Fármacos administrados proximamente ou durante o parto podem apresentar efeitos adversos sobre o trabalho de parto e o neonato. Poucos fármacos são conclusivamente definidos como teratogênicos em humanos, mas nenhum fármaco é totalmente seguro e livre de suspeita de problemas no início da gravidez.

Há evidência de que desenvolvimento intelectual, social e funcional também possa ser adversamente afetado pela administração de medicamentos durante a gravidez. Por isso, é crucial que também seja dada atenção a eventos que estão além dos limites estreitos das malformações anatômicas congênitas.

 

PRESCRIÇÃO DURANTE A GRAVIDEZ

O aconselhamento de mulheres antes de uma gravidez planejada deveria ser realizado sempre que possível, incluindo discussão sobre os riscos associados a agentes terapêuticos específicos, plantas medicinais e abuso de substâncias como nicotina e álcool. Suplemento de ácido fólico deve ser empregado durante o planejamento da gravidez porque o uso periconcepcional deste nutriente reduz o risco de defeitos do tubo neural.

A decisão de administrar medicamento à gestante deve ser precedida de discussão transparente e colaborativa entre a mulher e seu médico, sobre riscos e benefícios do procedimento.

Os fármacos devem ser prescritos na gravidez somente quando as evidências apontam que os benefícios esperados para a mãe suplantam o risco para o feto. Todos os fármacos deveriam ser evitados, quando possível, durante o primeiro trimestre.

Fármacos que são usados extensivamente na gravidez e parecem ser usualmente seguros deveriam ser preferidos em relação aos fármacos novos ou não testados, optando-se sempre pela menor dose efetiva. Medicamentos bem conhecidos com apenas um componente ativo deveriam ser normalmente preferidos no lugar de combinações em doses fixas.

 

CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DO USO DE MEDICAMENTOS DURANTE A GRAVIDEZ

A categorização de risco gestacional (A, B, C, D, X) expressa o nível de risco que os fármacos representam para o feto. Pela tendência de simplificar demais um assunto tão complexo, eles devem sempre ser usados em conjunto com informações explicativas. As definições para os níveis de risco aqui adotadas são aquelas usadas pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.

Categoria A: estudos controlados em mulheres não demonstraram risco ao feto no primeiro trimestre (e não há evidência de risco nos demais trimestres), e a possibilidade de prejuízo ao feto parece remota.

Categoria B: os estudos em reprodução animal não demonstraram risco fetal, embora não haja estudos controlados em mulheres grávidas, ou os estudos em reprodução animal demonstraram efeito adverso (não relacionado à diminuição da fertilidade) que não foi confirmado em estudos controlados em mulheres no primeiro trimestre (e não há evidência de risco nos demais trimestres).

Categoria C: os estudos em animais revelaram efeitos adversos sobre o feto (teratogênico, embriocida ou outro), e não há estudos controlados em mulheres, ou os estudos em mulheres e animais não estão disponíveis. Os fármacos devem ser empregados somente se o benefício potencial justificar o risco potencial ao feto.

Categoria D: há evidência positiva de risco sobre feto humano, mas os benefícios do uso em mulheres gestantes podem ser aceitáveis a despeito do risco (ex.: se o fármaco é necessário em uma situação de ameaça à vida ou para uma doença grave para a qual fármacos mais seguros não possam ser usados ou sejam ineficazes).

Categoria X: estudos em animais ou humanos demonstraram anormalidades fetais ou há evidência de risco fetal baseado em experiência humana, ou ambos, e o risco de uso do fármaco em mulheres gestantes excede claramente qualquer possível benefício. O fármaco é contra-indicado em gestantes ou mulheres que possam engravidar no decorrer do tratamento.

No caso de fármacos não incluídos na classificação anterior, pode-se recorrer a outras categorizações, como a australiana (Australian Drug Evaluation Committee – ADEC), a seguir nomeada.

Categoria A: fármacos usados por grande número de gestantes ou mulheres em idade gestacional sem evidência de aumento da freqüência de malformações ou de efeitos adversos diretos ou indiretos no feto.

Categoria B1: fármacos usados por limitado número de gestantes ou mulheres em idade gestacional sem evidência de aumento da freqüência de malformações ou de efeitos adversos diretos ou indiretos no feto. Estudos em animais não evidenciaram aumento na ocorrência de dano fetal.

Categoria B2: fármacos usados por limitado número de gestantes ou mulheres em idade gestacional sem evidência de aumento da freqüência de malformações ou de efeitos adversos diretos ou indiretos no feto humano. Estudos em animais são inadequados ou inexistentes, mas os dados disponíveis não evidenciaram aumento na ocorrência de dano fetal.

Categoria B3: fármacos usados por limitado número de gestantes ou mulheres em idade gestacional sem evidência de aumento da freqüência de malformações ou de efeitos adversos diretos ou indiretos no feto humano. Estudos em animais evidenciaram aumento na ocorrência de dano fetal, cuja significância é incerta em humanos.

Categoria C: fármacos que sabida ou supostamente induzem efeitos nocivos reversíveis no feto humano e no neonato sem causar malformações.

Categoria D: fármacos que sabida, suposta ou provavelmente induzem malformações no feto humano ou dano irreversível. Esses fármacos podem causar ainda efeitos adversos.

Categoria X: fármacos com alto risco de causar dano permanente no feto; não devem ser usados em gravidez ou quando há suspeita de gravidez.

 

A tabela a seguir inclui os fármacos da Rename que podem apresentar risco na gravidez e indica o trimestre de risco.

A ausência de um fármaco nesta lista não implica segurança absoluta.

 

REFERÊNCIAS

1.    World Health Organization. WHO Model Formulary 2006. Geneva: World Health Organization; 2006.

2.    Briggs GG, Freeman RK, Yaffe SJ. Drugs in pregnancy and lactation: a reference guide to fetal and neonatal risk. 7th. ed. Philadelphia: Lippincott, Williams & Wilkins; 2005.

3.    Klasco RK, editor. DRUGDEX System [Database on the Internet]. Greenwood Village (Colorado): Thomson MICROMEDEX; 1974-2007. [Cited 2007 Oct 5]. Available form: http://www.periodicos.capes.gov.br.

 

Fármacos e Gravidez

Fármacos Comentário
Acetato de hidrocortisona Evitar uso em grande quantidade ou por tempo prolongado devido ao risco de anomalias fetais.
Acetato de leuprorrelina Contra-indicado em mulheres gestantes ou que possam vir a engravidar.
Acetato de medroxiprogesterona Contra-indicado em mulheres gestantes ou que possam vir a engravidar. Podem ocorrer malformações genitais e cardíacas em fetos de ambos os sexos.
Acetato de megestrol Contra-indicado em mulheres gestantes ou que possam vir a engravidar.
Acetazolamida Evitar no primeiro trimestre da gravidez.
Ácido acetilsalicílico Evitar no terceiro trimestre devido a risco de hemorragia, atraso do início e aumento da duração do trabalho de parto; evitar doses analgésicas nas últimas semanas; doses elevadas podem levar ao fechamento do ducto arterioso fetal no útero e possivelmente hipertensão pulmonar persistente no recém-nascido e kernicterus em neonatos ictéricos.
Ácido salicílico Avaliar risco/benefício para o feto, pois estudos de aplicação excessiva em animais demonstraram potencial teratogênico e aumento do risco de hemorragia, devendo-se evitar o uso principalmente no terceiro trimestre da gravidez.
Albendazol Evitar engravidar durante o tratamento ou no prazo de 1 mês após completada a terapia. Não deve ser utilizado durante o primeiro trimestre de gravidez no caso de infecção por nematódeos. Se houver suspeita de gravidez durante o tratamento, recomenda-se interrupção do mesmo e consulta a um médico.
Amiodarona Evitar uso. Existem fármacos alternativos mais seguros.
Anastrozol Contra-indicado em mulheres gestantes ou que possam vir a engravidar.
Anfotericina b Embora haja poucos dados sobre a segurança deste fármaco na gravidez, é considerado o tratamento de primeira escolha nas infecções micóticas disseminadas durante a gravidez.
Artesunato de sódio Contra-indicado no primeiro trimestre da gravidez
Asparaginase Riscos para o feto incluem os efeitos adversos listados para o uso em adultos.
Atenolol Beta-bloqueadores durante a gravidez podem prejudicar o crescimento do feto, causar hipoglicemia e bradicardia neonatal.
Azatioprina Contra-indicado em mulheres gestantes ou que possam vir a engravidar. Pacientes transplantadas não devem interromper o uso em caso de gravidez; o uso durante a gravidez deve ser cuidadosamente supervisionado.
Besilato de anlodipino Evitar uso durante a gravidez, porém, o risco ao feto deve ser balanceado com o risco de hipertensão materna descontrolada.
Brometo de pancurônio Reduzir dose em mulheres que usam sulfato de magnésio para toxemia gestacional, uma vez que este aumenta bloqueio neuromuscular.
Brometo de piridostigmina Evitar superdosagem porque gravidade da miastenia gravis flutua consideravelmente durante a gravidez. Superdosagem pode desencadear crise colinérgica e miastenia neonatal. No trabalho de parto, a dose parenteral deve ser dada 1 hora antes do segundo estágio, facilitando o trabalho de parto e protegendo o neonato no pós-parto imediato.
Cabergolina Uso não recomendado para pacientes com hipertensão gestacional pelo risco de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia.
Calcitriol Possui alto potencial teratogênico; a hipercalcemia secundária pode provocar estenose supravalvar aórtica, dano vascular e supressão da paratireóide no recém-nascido
Captopril Uso contra-indicado. Além de potenciais malformações no primeiro trimestre, os IECA podem causar danos ou morte ao feto em qualquer trimestre da gravidez.
Carbamazepina Primeiro trimestre: risco de teratogênese e defeitos no tubo neural, recomenda-se suplemento de folato. Terceiro trimestre: risco de deficiência de vitamina K e sangramento neonatal. A combinação com outros anticonvulsivantes aumenta o risco de malformação. Contudo, os benefícios do uso do anticonvulsivante justificam seu uso, sob monitoramento criterioso, a despeito dos riscos envolvidos.
Carbonato de cálcio Uso seguro durante a gravidez quando em doses recomendadas.
Carbonato de lítio Uso de lítio não é recomendado durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre, devido ao risco de anomalia de Ebstein.
Carboplatina Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Ciclofosfamida Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Ciclosporina Uso requer supervisão especializada. Há risco de parto prematuro e baixo peso fetal.
Cipionato de testosterona Potencial virilização de feto do sexo feminino
Citarabina Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Citrato de clomifeno Uso contra-indicado. Aumento do risco de gravidez ectópica e da incidência de nascimentos múltiplos. O fármaco pode comprometer o desenvolvimento fetal.
Citrato de dietilcarbamazina Realizar o tratamento da mãe somente após o nascimento da criança.
Citrato de fentanila Terceiro trimestre: pode levar a depressão respiratória do neonato, síndrome de abstinência em neonatos de mães dependentes, estase gástrica e risco de pneumonia inalatória durante o trabalho de parto
Citrato de tamoxifeno Evitar uso devido a possíveis danos fetais. Em mulheres em idade fértil deve ser utilizada contracepção efetiva durante o tratamento e por até 2 meses após o término do mesmo
Cladribina Evitar gravidez durante e por até 6 meses após o tratamento.
Clonazepam Evitar uso no primeiro trimestre da gravidez; quando usado após este período, o recém-nascido pode apresentar sintomas de abstinência
Clorambucila Evitar uso; recomenda-se contracepção efetiva durante uso em homens ou mulheres devido a risco de malformações.
Cloranfenicol Uso próximo ao termo pode resultar em desenvolvimento da síndrome cinzenta no neonato.
Cloridrato de amiodarona Contra-indicado em mulheres grávidas.
Cloridrato de amitriptilina Não há relatos de teratogenia com o uso de antidepressivos, mas a dose deve ser reduzida no final da gravidez para evitar os efeitos atropínicos no recém-nascido.
Cloridrato de bupivacaína Dose elevada durante o terceiro trimestre pode ocasionar depressão respiratória, hipotonia e bradicardia neonatal.
Cloridrato de cetamina Terceiro trimestre: risco de depressão respiratória neonatal.
Cloridrato de clomipramina Reduzir dose ao final da gravidez para evitar efeitos anticolinérgicos no neonato.
Cloridrato de clorpromazina Neonato pode apresentar síndrome de abstinência com tremores e vômitos. Doses elevadas podem aumentar risco de icterícia neonatal, hiperbilirrubinemia, estados apáticos e letargia.
Cloridrato de dopamina O uso durante o primeiro trimestre de gravidez tem sido associado à um efeito tocolítico e estudos em animais têm demonstrado aumento da incidência de anormalidades fetais.
Cloridrato de doxiciclina No primeiro trimestre há relato de efeito sobre o esqueleto e desenvolvimento em estudos com animais. No segundo e terceiro trimestre, descoloração dos dentes.
Cloridrato de doxorrubicina Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Cloridrato de hidralazina Cautela com o uso em hipertensão grave durante a gravidez. Risco de trombocitopenia neonatal após o uso extensivo do fármaco. Primeiro e segundo trimestres: evitar o uso.
Cloridrato de idarrubicina Evitar o uso, pois possui potencial carcinogênico e teratogênico. Entretanto, os benefícios da terapia em situações de risco de vida ou severidade da doença podem contrabalançar o potencial de risco.
Cloridrato de lidocaína Uso de doses elevadas no terceiro trimestre pode causar depressão respiratória, hipotonia e bradicardia, no neonato, após bloqueio paracervical ou epidural.
Cloridrato de lidocaína + hemitartarato de epinefrina O uso de vasoconstritores adrenérgicos deve ser cauteloso na grávida, pelo pequeno risco potencial de diminuir a irrigação placentária, em decorrência do efeito vasoconstritor em musculatura lisa uterina, circulação placentária e veias umbilicais.
Cloridrato de mefloquina Evitar gravidez durante e por 3 meses após término de tratamento
Cloridrato de midazolam Deve ser prescrito como monoterapia, na menor dose efetiva, e por um período mais curto possível; as doses devem ser divididas a fim de evitar picos elevados de concentração plasmática. Não é recomendado para indução de anestesia na cesariana.
Cloridrato de minociclina Não é recomendável o uso durante a gravidez, pelo risco de causar problemas no desenvolvimento esquelético e descoloração dos dentes.
Cloridrato de naloxona A dependência materna a opiáceos pode ser acompanhada de dependência fetal. A naloxona atravessa a placenta, rapidamente aparecendo no sangue fetal 2 minutos após a dose materna podendo precipitar sintomas de retirada no feto e na mãe.
Cloridrato de nortriptilina Reduzir dose ao final da gravidez para evitar efeitos anticolinérgicos no neonato.
Cloridrato de ondansetrona Atravessa a barreira placentária durante o primeiro trimestre de gravidez. Segurança durante a gravidez tem sido melhor estabelecida com outros antieméticos; anti-histamínicos e vitamina B6 parecem ser alternativas mais seguras.
Cloridrato de piridoxina Doses acima de 200 mg/dia, por tempo prolongado, podem produzir síndrome de dependência à piridoxina no recém-nascido e convulsão neonatal, contudo, é considerado seguro na gravidez.
Cloridrato de prometazina Evitar uso no período de 2 semanas antes do parto.
Cloridrato de propranolol O uso de beta-bloqueadores pode prejudicar o crescimento do feto, causar hipoglicemia e bradicardia neonatal.
Cloridrato de verapamil Pode ter efeito tocolítico.
Cloridrato de prilocaína + felipressina Terceiro trimestre: pode ocasionar depressão respiratória neonatal, hipotonia e bradicardia, após bloqueio epidural ou paracervical; metahemoglobinemia após bloqueio paracervical.
Dacarbazina Potencialmente mutagênico e teratogênico. Utilizar contraceptivo até 6 meses após o tratamento.
Dapsona Se for usada durante o terceiro trimestre de gravidez pode causar hemólise neonatal e meta-hemoglobinemia. Recomenda-se a ingestão de 5 mg de ácido fólico pela gestante.
Dexametasona Não deve ser usado em grande quantidade ou por tempo prolongado devido ao risco de anomalias fetais.
Diazepam O uso na gravidez induz malformações; administrado próximo ao parto, induz hipotonia e sintomas de abstinência no recém-nascido. Primeiro e segundo trimestres: pode aumentar o risco de aparecimento de fissura labial palatina.
Dicloridrato de quinina Primeiro trimestre: a administração de doses altas é teratogênica e também pode induzir o aborto. No entanto, o risco de malária é considerado maior que o risco para o feto.
Didanosina Primeiro trimestre: aumenta o risco de acidose lática e esteatose hepática. Terceiro trimestre: monitorar freqüentemente enzimas hepáticas e eletrólitos.
Difosfato de primaquina Terceiro trimestre: possibilidade do feto apresentar deficiência de g6pd (glicose-6-fosfato desidrogenase), além de hemólise e meta-hemoglobinemia neonatal. Após o tratamento com cloroquina, deve-se adiar o tratamento de cura radical com primaquina até o término da gravidez.
Dipirona sódica Primeiro e terceiro trimestres: possível fechamento prematuro de ducto arterial e retardo do trabalho de parto.
Dipropionato de beclometasona O uso prolongado durante a gravidez está associado a maior incidência de partos prematuros e baixo peso da criança ao nascer.
Docetaxel Em geral os antineoplásicos quando dados no primeiro trimestre da gravidez têm sido associados à malformação fetal; no segundo e terceiro trimestre podem determinar retardo no crescimento e maturação fetal.
Enantato de noretisterona + valerato de estradiol Risco de malformações fetais. Pode ocorrer aumento da incidência de gravidez ectópica.
Espironolactona Estudos mostram toxicidade em animais (feminização de fetos masculinos).
Estreptoquinase Cautela em todos os trimestres da gravidez, pois há possibilidade de descolamento prematuro da placenta nas primeiras 18 semanas; possibilidade de hemorragia fetal, hemorragia materna durante a gravidez e no pós-parto.
Estriol Estrógenos em geral não devem ser utilizados durante a gravidez. Estudos epidemiológicos mostraram risco de malformações fetais.
Estrogênios conjugados Estrógenos em geral não devem ser utilizados durante a gravidez. Estudos epidemiológicos mostraram risco de malformações fetais.
Etinilestradiol + levonorgestrel Estrógenos em geral não devem ser utilizados durante a gravidez. Estudos epidemiológicos mostraram risco de malformações fetais.
Etoposídeo Têm sido relatados efeitos teratogênicos com o etoposídeo. Dependendo da natureza da malignidade, da progressão da doença, e quanto avançada se encontra a gravidez, a quimioterapia pode em alguns casos ser adiada até que se complete a maturação fetal. O parto pré-termo pode ser outra alternativa desde que se possam conciliar os riscos materno e fetal.
Fenitoína sódica A síndrome fetal da hidantoína ocorre em 10 a 30% das gestantes expostas, podendo resultar em anomalias fetais multissistêmicas, incluindo disfunção do SNC, anomalias craniofaciais, malformações maiores, hipoplasia ungueal/digital, neuroblastoma, hemorragia no neonato por ocasião do parto.
Fenobarbital Devido a relatos de efeitos teratogênicos, o uso durante a gravidez não é recomendado, exceto quando as convulsões maternas ofereçam grande risco ao feto; se houver opção pelo uso, administrar a menor dose efetiva e avisar a gestante dos riscos sobre o feto. Último trimestre da gravidez: risco do neonato apresentar sintomas da retirada do fármaco, ou ainda defeitos de coagulação que determinaram hemorragias nas primeiras 24 horas de vida, incluindo hemorragia intracraniana grave secundária à deficiência de vitamina K em conjunto com um parto traumático.
Fluconazol O uso é contra-indicado durante a gravidez, pois há registros de anormalidade congênitas múltiplas em esquemas posológicos de longa duração. Primeiro trimestre: risco de malformação congênita. Segundo e terceiro trimestres: pode afetar o crescimento e desenvolvimento funcional do feto ou ter efeitos tóxicos sobre o tecido fetal.
Fluoreto de sódio Risco fetal é mínimo. Flúor atravessa barreira placentária, com níveis sangüíneos fetal e materno quase iguais no platô.
Fluoruracila Contra-indicado na gravidez e em mulheres planejando gravidez.
Fosfato de codeína Terceiro trimestre: deprime respiração neonatal; efeitos de retirada em neonatos de mães dependentes; estase gástrica e risco de pneumonia de inalação na mãe durante o trabalho de parto.
Fosfato sódico de prednisolona Crianças e mães tratadas com prednisolona durante a gravidez devem ser monitoradas pois há risco de hipoadrenalismo.
Glibenclamida Primeiro trimestre: risco de hipoglicemia neonatal. Recomenda-se substituir por insulina durante a gravidez. Suspender o uso dois dias antes do parto.
Gliclazida Primeiro trimestre: risco de hipoglicemia neonatal. Recomenda-se substituir por insulina durante a gravidez. Suspender o uso dois dias antes do parto.
Heparina sódica Uso por mais de um mês oferece risco materno de osteopenia, osteoporose e trombocitopenia induzida por heparina. Sugere-se uso de cálcio profilático e suplementação de vitamina D.
Hidroclorotiazida Não é recomendado para tratamento da hipertensão na gravidez, pois pode gerar trombocitopenia neonatal.
Hidróxido de magnésio + hidróxido de alumínio Evitar uso crônico de doses altas.
Hidroxiuréia Mulheres em idade fértil devem utilizar métodos de contracepção efetivos.
Ibuprofeno Terceiro trimestre: com uso regular fechamento do ducto arterioso fetal no útero e possivelmente hipertensão pulmonar persistente no recém-nascido. Início retardado e aumento da duração do trabalho de parto.
Ifosfamida Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Iodo + iodeto de potássio (sol. de lugol) Segundo ou terceiro trimestres: pode promover bócio e hipotireoidismo neonatal.
Isoflurano Primeiro trimestre: pode ocasionar aumento do sangramento uterino. Terceiro trimestre: risco de depressão respiratória neonatal.
Lamivudina Primeiro trimestre: evitar. Segundo e terceiro trimestres: o benefício do uso é maior que o risco. O tratamento do HIV na gravidez reduz a toxicidade ao feto, reduz a progressão da doença na mãe e previne a transmissão vertical.
Levotiroxina sódica Monitorar a concentração plasmática materna de TSH a cada trimestre, porque a tiroxina atravessa a barreira placentária.
Lopinavir + ritonavir Primeiro trimestre: evitar. Segundo e terceiro trimestres: o benefício do uso é maior que o risco. O tratamento do HIV na gravidez reduz a toxicidade ao feto, reduz a progressão da doença na mãe e previne a transmissão vertical.
Maleato de enalapril Causa malformações quando administrado na gravidez, principalmente em 2º e 3º trimestres. Evitar em todos os trimestres.
Maleato de midazolam Deve ser prescrito como monoterapia, na menor dose efetiva, e por um período mais curto possível; as doses devem ser divididas a fim de evitar picos elevados de concentração plasmática. Não é recomendado para indução de anestesia na cesariana.
Maleato de timolol Relato de associação a bradicardia e arritmia no neonato com o uso oftálmico na mãe.
Manitol Uso não recomendado, em função do influxo intravascular de fluidos nos pulmões e cérebro.
Mebendazol Primeiro trimestre: uso deve ser evitado, devido ao risco de teratogenia visto em animais, mas não confirmado em humanos. Segundo e terceiro trimestres: é permitido. Seu uso é contra-indicado em infecções por cestódios e deve-se evitar o uso desse medicamento em infecções por nematódeos no primeiro trimestre de gravidez.
Melfalana Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Mercaptopurina Não é recomendado o uso na gravidez. Ocorre um aumento na incidência de aborto em mulheres que usam mercaptopurina no primeiro trimestre da gravidez.
Mesilato de nelfinavir Primeiro trimestre: evitar. Não há evidência de risco nos demais trimestres e a terapia deve ser avaliada quanto aos seus benefícios. A dose recomendada em protocolos clínicos objetivando atingir o pico plasmático é de 1.250 mg, duas vezes ao dia. Não é recomendada a dose de 750 mg, três vezes ao dia, em mulheres grávidas, tendo em vista que as concentrações atingidas são insuficientes.
Mesilato de saquinavir Primeiro trimestre: recomenda-se evitar. Segundo e terceiro trimestres: o benefício do uso é maior que o risco. O tratamento do HIV na gravidez reduz a toxicidade ao feto, reduz a progressão da doença na mãe e previne a transmissão vertical.
Metotrexato de sódio Metotrexato e outros antagonistas do ácido fólico são teratogênicos e no primeiro trimestre podem induzir aborto espontâneo.
Metronidazol Segundo e terceiro trimestres: deve ter seu uso limitado a casos não-responsivos a agentes alternativos, devido ao potencial mutagênico visto em experimentação animal. Primeiro trimestre: evitar. Segundo e terceiro trimestres: avaliar o risco-benefício.
Nevirapina Uso contra-indicado, principalmente no primeiro trimestre. Baseado nos estudos de efeitos adversos hepáticos graves, a terapia com nevirapina não deve se iniciada em mulheres com contagem de CD4 acima de 250 células/mm3, a não ser que os benefícios sejam claramente superiores aos riscos.
Nifedipino Pode inibir trabalho de parto.
Nitrato de miconazol Considerado seguro para uso durante a gravidez. Vários protocolos clínicos incluem o tratamento local com miconazol para candidíase vaginal (ou nistatina como alternativa), e anfotericina b para infecção micótica disseminada. É também o medicamento de primeira escolha para infecções fúngicas dérmicas durante a gravidez.
Nitrofurantoína Terceiro trimestre: pode provocar hemólise neonatal e anemia hemolítica neonatal se usada a termo.
Noretisterona Riscos claramente ultrapassam os benefícios. Contra-indicada em mulheres que estão ou possam se tornar grávidas.
Omeprazol / omeprazol sódico Evitar o uso, especialmente no primeiro trimestre de gravidez. Há relatos de anormalidades congênitas em humanos.
Óxido nitroso No terceiro trimestre: depressão respiratória neonatal.
Palmitato de cloranfenicol Uso próximo ao termo pode resultar em desenvolvimento da síndrome cinzenta no neonato.
Palmitato de retinol É teratogênica. Uso de suplementos deve ser evitado em mulheres que podem se tornar gestantes ou durante a gravidez. Doses acima de 10.000 ui/dia por tempo prolongado na gravidez têm sido associadas a anormalidades fetais no sistema nervoso central e na região craniofacial, defeitos cardíacos e no trato urinário.
Pamidronato dissódico O pamidronato atravessa a barreira placentária e determina efeitos adversos no feto.
Pirimetamina Primeiro trimestre: contra-indicado. Terceiro trimestre: avaliar benefício-risco.
Praziquantel Infecções por T. Solium devem ser tratadas imediatamente. O tratamento no caso de infecção por Schistosoma mansoni pode ser benéfico apesar do risco.
Propiltiouracila Uso não recomendado. Segundo e terceiro trimestres: pode promover bócio e hipotiroidismo neonatal.
Propofol Terceiro trimestre: depressão respiratória neonatal no terceiro trimestre de gravidez; não exceder 6 mg/kg/hora para dose de manutenção.
Prova tuberculínica (derivado proteico purificado – PPD RT23) Gravidez pode interferir no diagnóstico.
Ritonavir Primeiro trimestre: recomenda-se evitar. Segundo e terceiro trimestres: o benefício do uso é maior que o risco.
Solução de Ringer + lactato Sais de sódio devem ser utilizados com precaução na pré-eclâmpsia
Succinato de metoprolol O uso de beta-bloqueadores durante a gravidez pode prejudicar o crescimento do feto, causar hipoglicemia e bradicardia neonatal.
Succinato sódico de cloranfenicol Uso próximo ao termo pode resultar em desenvolvimento da síndrome cinzenta no neonato.
Succinato sódico de hidrocortisona Risco de retardo de crescimento intra-uterino.
Sulfadiazina Não deve ser usada próxima ao trabalho de parto pelo risco de hiperbilirrubinemia do recém-nascido.
Sulfadiazina de prata Terceiro trimestre: contra-indicada devido ao risco de hemólise e metemoglobinemia neonatal.
Sulfassalazina Pode levar a icterícia raramente. Risco teórico de hemólise neonatal, principalmente em crianças com deficiência de g6pd, deve ser dado à mãe suplemento adequado de folato.
Sulfato de amicacina Riscos auditivos ao feto.
Sulfato de bleomicina Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Sulfato de estreptomicina Segundo e terceiro trimestre: pode causar danos no nervo auditivo ou vestibular. Monitorar a concentração sérica de estreptomicina.
Sulfato de magnésio Há relatos de síndrome do mecônio tampão, distúrbios neurocomportamentais e depressão respiratória em neonatos cujas mães receberam sulfato de magnésio, por via parenteral e em grandes doses, anteriormente ao parto para tratamento de eclâmpsia.
Sulfato de morfina Terceiro trimestre: deprime respiração neonatal; efeitos de retirada em neonatos de mães dependentes; estase gástrica e risco de pneumonia de inalação na mãe durante o trabalho de parto. Pode prolongar trabalho de parto.
Sulfato de quinina Primeiro trimestre: a administração de doses altas é teratogênica e também pode induzir o aborto. No entanto, o risco de malária é considerado maior que o risco para o feto.
Sulfato de salbutamol O sulfato de salbutamol inalado é o broncodilatador de escolha para uso na gravidez. A oxigenação insuficiente do feto devido a asma não controlada na gestante representa riscos maiores do que qualquer efeito advindo do fármaco. Porém o uso parenteral pode afetar o miométrio e oferecer potenciais riscos cardiovasculares à gestante.
Sulfato de vimblastina Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Teniposídeo Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Tioguanina Primeiro trimestre: uso associado à malformação fetal. Segundo e terceiro trimestres: pode determinar retardo no crescimento e na maturação fetal.
Tiopental sódico Terceiro trimestre: depressão respiratória neonatal.
Vacina BCG  Primeiro trimestre: risco teórico de malformações congênitas.
Vacina contra influenza Recomenda-se administrar a partir do segundo trimestre de gravidez para evitar a fase com maior incidência de abortos espontâneos.
Vacina contra meningococo B e C Não deve ser administrada a mulheres grávidas, a menos que se considere necessário e justificado devido a um elevado risco epidemiológico.
Vacina contra raiva (uso humano, cultivo celular) A profilaxia pré-exposição é recomendada durante a gravidez se houver alto risco de exposição à raiva e o acesso à profilaxia pós-exposição for limitado. A gravidez não é considerada contra-indicação para a profilaxia pós-exposição, uma vez que a vacinação não está associada a malformações fetais e o benefício de prevenir a doença supera qualquer risco eventual.
Vacina de vírus vivos atenuados de febre amarela A menos que o risco de exposição seja alto, a vacinação deve ser evitada (risco teórico de malformações no primeiro trimestre). Caso seja necessária viagem para área endêmica, considera-se o risco da vacina inferior ao da infecção por febre amarela, especialmente após o sexto mês. Se possível, adiar vacinação para o terceiro trimestre.
Vacina de vírus vivos contra sarampo Primeiro trimestre: risco teórico de malformações, contudo o benefício pode superar o risco fetal. Mulheres devem ser alertadas para evitar engravidar pelo menos nos 3 meses seguintes à vacinação.
Vacina oral contra poliomielite tipos 1, 2 e 3 Não é recomendado para gestantes a menos que haja grande risco de exposição inevitável.
Vacina tríplice viral contra sarampo, rubéola e caxumba (SRC) Concepção deve ser evitada até 4 semanas após vacinação
Valproato de sódio Pode ser teratogênico e causar malformações como defeitos no tubo neural. O uso do valproato de sódio durante a gravidez deve ser considerado somente depois de discutidos com a mãe os riscos potenciais ao feto, e quando a gravidade e freqüência das convulsões maternas permitirem a retirada do medicamento sem prejuízos à paciente. A monitoração rotineira do tubo neural e dos parâmetros de coagulação é recomendada. Embora não haja evidências, a suplementação com ácido fólico pode ser feita previamente à gravidez estendendo-se até que a mesma se complete. Crianças nascidas de mães que utilizaram valproato durante a gravidez devem ter monitorados os níveis séricos de glicose durante várias primeiras horas de vida.
Varfarina sódica Contra-indicada para todos os trimestres de gravidez: malformações congênitas; hemorragia fetal e neonatal; há risco de hemorragia da placenta e fetal durante o parto.
Zidovudina Primeiro trimestre: evitar. Segundo e terceiro trimestres: o benefício do uso é maior que o risco. O tratamento do HIV na gravidez reduz a progressão da doença na mãe e previne a transmissão vertical.
Zidovudina + lamivudina Primeiro trimestre: evitar. Segundo e terceiro trimestres: o benefício do uso é maior que o risco. O tratamento do HIV na gravidez reduz a progressão da doença na mãe e previne a transmissão vertical.

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mar 12, 2012 by

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