Diagnóstico e Tratamento da Artrite Séptica


Revisão geral sobre o diagnóstico e tratamento da artrite séptica

 Dr. ANTONIO CARLOS MONTEIRO RIBAS

Conceitos Gerais Manifestações Diagnóstico Tratamento Referências

 

ARTRITE SÉPTICA

A artrite séptica é uma artrite aguda que resulta da presença de um agente microbiano na articulação (12). Apresenta-se de forma insidiosa, com intenso processo inflamatório, que em 80% dos casos é monoarticular (4). O diagnóstico deve ser preciso e rápido, pois coloca a vida do paciente em risco (4).

FISIOPATOLOGIA DA ARTRITE SÉPTICA

Na artrite séptica, o agente infeccioso entra no organismo por via hematogênica e chega à articulação por tropismo pela sinóvia. É menos comum a entrada de bactérias através da pele por trauma ou por uma osteomielite adjacente (2).

Enzimas proteolíticas liberadas por células inflamatórias podem danificar a articulação. Consequentemente, mediadores inflamatórios, bactérias e pus pressionam a articulação, comprimindo vasos intra-articulares, e reduzindo a circulação da cartilagem e do osso subcondral (12). A pressão pode induzir a uma necrose tecidual da articulação ocasionando sua destruição. Sendo assim, a coxo-femoral infectada é uma emergência ortopédica visto que os ligamentos serão afetados, assim como haverá necrose de cabeça de fêmur, deslocamento femoral e possível osteomielite, principalmente em crianças (12).

A bactéria, após entrar na articulação, deposita-se na sinóvia e produz uma resposta celular inflamatória aguda. Logo a seguir, atinge o líquido sinovial pela falta de barreiras na sinóvia (3). A resposta à agressão é a fabricação de citoquinas inflamatórias, que estimulam enzimas proteolíticas e aumentam a migração leucocitária. Estes produtos inflamatórios destroem a sinóvia e a matriz de colágeno, inibindo a síntese de cartilagem. Com o progresso da infecção, iniciam os sinais inflamatórios de rubor e edema. Com a pressão pela efusão sinovial, inicia-se a perda da cartilagem e do osso subcondral (3). O aumento da pressão intra-articular interrompe o fluxo sanguíneo e pode levar a uma necrose avascular, principalmente em se tratando da cabeça femoral. A distensão da cápsula articular pode produzir a subluxação da articulação como sequela (3).

PREVALÊNCIA DA ARTRITE SÉPTICA

A artrite séptica afeta 2 a 10 indivíduos a cada 100.000 e é mais comum em crianças principalmente abaixo dos três anos de idade (2). O agente mais comum em crianças é o Haemophilus influenzae tipo B, mas o número de artrites sépticas, especialmente de fêmur, vem diminuindo desde que a vacinação em massa foi introduzida para a população (2). No entanto, com o aumento expressivo de Staphylococcus aureus meticilino-resistente adquirido na comunidade, principalmente nos Estados Unidos, tem havido um aumento nos casos de artrite séptica por essa bactéria, especialmente em crianças (2).

Os subgrupos de crianças predispostas a artrites sépticas são os neonatos, hemofílicos (devido à hemartrose), além de indivíduos imunocomprometidos, como ocorre na anemia falciforme ou infecção pelo HIV e durante quimioterapia (2). Entre os adultos, as bactérias mais comuns são os Staphylococcus (64%) – sendo o S. aureus o mais comum – e Streptococcus (20%); ambos respondem por 80-90% dos casos (14). Micro-organismos Gram negativos são mais comuns em pacientes idosos (15%) e imunocomprometidos, do que em pacientes jovens, onde a bactéria mais frequente é o gonococo (14). Bactérias anaeróbias são incomuns e ocorrem principalmente quando existe trauma prévio penetrante na articulação (1).

A doença afeta ambos os sexos igualmente, assim como todas as raças de forma indistinta (2).

FATORES DE RISCO PARA ARTRITE SÉPTICA

Os principais fatores de risco relacionados com a artrite séptica são  a artrite reumatoide ou osteoartrite, lúpus eritematoso sistêmico, diabetes mellitus (artropatia de Charcot) (5), nefropatia, próteses articulares, baixo nível sócio-econômico, abuso de drogas endovenosas, infecções cutâneas, uso de fármacos por via endovenosa, imunossupressão, alcoolismo, injeções intraarticulares prévias de corticosteroides e úlceras cutâneas (14). O prognóstico piora muito com a idade avançada, pré-existência de dano articular e presença de material sintético dentro da articulação (14).

 

Conceitos Gerais Manifestações Diagnóstico Tratamento Referências

 

jan 21, 2013 by

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