Diagnóstico e Tratamento da Aterosclerose


Definição, manifestações, diagnóstico e tratamento da aterosclerose

Drs. Andrei Carvalho Sposito e Bruno Farah Alvarenga

Conceitos Gerais Manifestações Diagnóstico Tratamento Acompanhamento

Diagnóstico e tratamento da aterosclerose

PONTOS PRINCIPAIS SOBRE A ATEROSCLEROSE

DEFINIÇÃO: A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica de origem multifatorial que ocorre em resposta a uma agressão à parede arterial, acometendo principalmente a camada íntima das artérias de médio e grande calibre (1).

CAUSAS PRINCIPAIS: Pode ser causada por fatores de risco modificáveis, como tabagismo, sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial sistêmica, diabete melito, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, e/ou fatores não modificáveis, como história familiar de doença aterosclerótica precoce, idade e sexo.

QUANDO SUSPEITAR: A doença aterosclerótica é silenciosa na maioria dos pacientes. Quando manifesta, provoca sintomas em resposta à redução da perfusão de órgãos e tecidos nas estenoses arteriais, ou como consequência de oclusões arteriais agudas.

APRESENTAÇÃO CLÍNICA: As manifestações clínicas da aterosclerose dependem do leito vascular acometido. Nas artérias coronárias, pode se manifestar por síndromes coronarianas agudas ou por angina estável. Nos demais leitos arteriais, manifesta-se por acidente vascular encefálico e isquemia cerebral transitória, claudicação intermitente de membros inferiores ou insuficiência arterial aguda, isquemia mesentérica e estenose da artéria renal.

DIAGNÓSTICO: O diagnóstico da aterosclerose é realizado através das manifestações clínicas da doença ou, nos casos silenciosos, pela detecção de risco moderado a alto de eventos cardiovasculares ou de morte e infarto segundo o  Escore de Risco de Framingham, podendo estar associada a fatores agravantes ou evidenciada por métodos de imagem que mostrem placas ateroscleróticas.

TRATAMENTO: O tratamento da ateroscleroseé dirigido à recuperação ou atenuação das lesões isquêmicas agudas ou crônicas e à prevenção destas manifestações ou de suas recorrências através de modificação do estilo de vida e medicamentos hipolipemiantes em pacientes com risco alto ou aterosclerose manifesta.

 

INTRODUÇÃO SOBRE A ATEROSCLEROSE

A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica de origem multifatorial que ocorre em resposta a uma agressão à parede arterial, acometendo principalmente a camada íntima de artérias de médio e grande calibre (1) (Anexo). Pode ser causada por fatores de risco modificáveis, como tabagismo, sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial sistêmica, diabete melito, dislipidemia e/ou fatores não-modificáveis, como história familiar de doença aterosclerótica precoce, idade e sexo.

Na maioria dos pacientes, a doença aterosclerótica é silenciosa. Cerca de 50% dos indivíduos que manifestam infarto agudo do miocárdio nunca chegaram a manifestar os sintomas da aterosclerose antes do evento vascular. Nos indivíduos com doença manifesta, a aterosclerose pode provocar sintomas como consequência da redução da perfusão de órgãos e tecidos, como nas estenoses arteriais, ou como consequência de oclusões arteriais agudas.

Nos indivíduos assintomáticos, o risco de manifestar a forma aguda da doença pode ser estimado com base na análise conjunta dos fatores de risco, utilizando o  Escore de Risco de Framingham (ERF). Além disso, a IV Diretriz Brasileira de Prevenção da Aterosclerose recomenda que os indivíduos classificados como sendo de risco intermediário pelo ERF devam ser reclassificados como sendo de alto risco se apresentarem fatores agravantes de risco cardiovascular (Tabela) (1).

As manifestações clínicas da aterosclerose dependem do leito vascular acometido. Nas artérias coronárias, a doença pode se apresentar por síndromes coronarianas agudas (ruptura da placa e oclusão ou suboclusão arterial) ou por angina estável (estenose da luz arterial). Nos demais leitos arteriais, a aterosclerose pode ainda provocar estenoses e oclusões agudas, mais comumente manifestas por acidente vascular encefálico e isquemia cerebral transitória, claudicação intermitente ou insuficiência arterial aguda, isquemia mesentérica e estenose da artéria renal. Na aorta abdominal e nos grandes vasos, a aterosclerose pode igualmente provocar estenose e predispor a ectasia ou aneurisma.

O diagnóstico é evidenciado em indivíduos com manifestação clínica da doença ou, nos casos silenciosos, pela detecção de risco moderado a alto segundo o ERF e os fatores agravantes, ou por métodos de imagem que mostrem placas ateroscleróticas.

O tratamento é dirigido à recuperação ou atenuação das lesões isquêmicas agudas ou crônicas e à prevenção destas manifestações ou suas recorrências. Na terapia preventiva, a modificação do estilo de vida visando correção dos fatores de risco é amplamente empregada em todos os casos. Nos casos de risco alto ou naqueles com aterosclerose manifesta, o tratamento com  medicamentos hipolipemiantes deve ser iniciado concomitantemente. Em indivíduos de risco baixo ou moderado, o efeito da mudança do estilo de vida pode ser reavaliado após 6 e 3 meses respectivamente, podendo ser iniciado tratamento farmacológico nesse momento. Além das mudanças do estilo de vida e do tratamento da dislipidemia, a prevenção pode incluir o controle rigoroso da pressão arterial, do diabete melito e o uso de antiagregantes plaquetários.

SINÔNIMOS DA ATEROSCLEROSE

  • Doença aterosclerótica
  • Doenças cardiovasculares

ETIOLOGIA DA ATEROSCLEROSE

 ETIOLOGIA   OCORRÊNCIA      OBSERVAÇÕES 
Agressão à parede arterial  Comum

Entre os fatores que podem ocasionar esta agressão estão o tabagismo, hipertensão arterial, HDL-colesterol abaixo de 40 mg/dL, LDL-colesterol acima de 160 mg/dL, diabetes mellitus e história familiar de doença coronariana prematura (parente de primeiro grau masculino <55 anos ou feminino <65 anos).

Fatores que podem contribuir incluem idade (homens ≥45 anos, mulheres ≥55 anos), obesidade, sedentarismo e dieta aterogênica.

 

CLASSIFICAÇÃO DA ATEROSCLEROSE

 CLASSIFICAÇÃO   BASE PARA A CLASSIFICAÇÃO  OBSERVAÇÕES
Aguda, crônica ou subclínica Forma de manifestação A primeira manifestação de aterosclerose pode ocorrer na circulação coronariana, cerebrovascular ou sistêmica. Em cada um destes locais, as manifestações podem ser agudas, decorrentes de ruptura de placa e oclusão arterial aguda, ou crônicas, decorrentes de placas em geral estáveis com estenose significativa.Dentre os distúrbios com manifestação aguda encontram-se a angina instável, o infarto agudo do miocárdio e a morte súbita. No caso de distúrbios com manifestação crônica, encontram-se a angina estável, doença arterial obstrutiva periférica e síncopes decorrentes da estenose carotídea grave. Em indivíduos assintomáticos, a aterosclerose pode ser diagnosticada através de métodos de imagem como ultrassonografia de vasos e angiotomografia.

 

Conceitos Gerais Manifestações Diagnóstico Tratamento Acompanhamento

dez 6, 2013 by

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