Diagnóstico e Tratamento do Hipotireoidismo


Revisão sobre aspectos gerais, manifestações, diagnóstico e tratamento do hipotireoidismo

Dras. Maria Heloisa B. S. Canalli, Tanise B. Damas e Jordana B. Daltrozo

Conceitos Gerais Manifestações Diagnóstico Tratamento Acompanhamento

Diagnóstico e tratamento do hipotireoidismo

PONTOS PRINCIPAIS

 

DEFINIÇÃO: O hipotiroidismo é uma condição clínica resultante de uma deficiência na produção ou na ação dos hormônios tireoidianos.

CAUSAS PRINCIPAIS: A causa mais comum do hipotireoidismo em nosso meio é a tireoidite de Hashimoto. Outras causas incluem o hipotireoidismo congênito, hipotireoidismo secundário a tratamento de hipertireoidismo, tireoidite subaguda, drogas (ex.: amiodarona), radioterapia externa, doenças hipofisárias e hipotalâmicas.

APRESENTAÇÃO CLÍNICA: A apresentação do hipotireoidismo é variável, podendo incluir intolerância ao frio, letargia, sonolência, déficit de memória, constipação, ganho de peso, pele seca, palidez cutânea, edema.

QUANDO SUSPEITAR: Principalmente em pacientes com fadiga, sonolência excessiva, dificuldade em perder peso, quadro depressivo e déficit de memória.

DIAGNÓSTICO: O diagnóstico do hipotireoidismo é baseado no quadro clínico e confirmado laboratorialmente através de dosagens de TSH e T4 livre.

TRATAMENTO: Reposição de levotiroxina sódica.

INTRODUÇÃO

O hipotireoidismo é uma condição clínica resultante da deficiência na produção ou na ação dos hormônios tireoidianos. Pode ser classificado em primário (causas tireoideanas), secundário (causas hipofisárias) e terciário (causas hipotalâmicas), sendo o primário o mais comum (1). Nos Estados Unidos a causa mais comum, tanto em adultos quanto em crianças, é a tireoidite de Hashimoto (2) e estima-se que esta também seja a principal causa no Brasil. No Rio de Janeiro, a prevalência do hipotireoidismo tanto clínico quanto subclínico varia de 9,4% em mulheres entre as idades de 35 e 44 anos a 19,1% naquelas com 75 anos ou mais (média 10,3%) enquanto que 2,8% a 16% dos homens apresentam elevação do TSH (3). Outras causas incluem o hipotireoidismo congênito, hipotireoidismo secundário a tratamento de hipertireoidismo, tireoidite subaguda, drogas (ex.: amiodarona), radioterapia externa, doenças hipofisárias e hipotalâmicas.

O diagnóstico do hipotireoidismo é baseado no quadro clínico (cansaço, indisposição, fraqueza, depressão, mixedema, dificuldade em perder peso, déficit de memória, pele e cabelos secos, queda de cabelos, entre outros) e confirmado laboratorialmente através de dosagens de TSH e T4 livre. A dosagem de anticorpos antitireoideanos, quando em títulos elevados, indicam a tireoidite de Hashimoto como etiologia para o hipotireoidismo.

O tratamento do hipotireoidismo na reposição de levotiroxina sódica.

SINÔNIMOS PARA O HIPOTIREOIDISMO

  • Hipotiroidismo
  • Cretinismo
  • Mixedema

ETIOLOGIA DO HIPOTIREOIDISMO

 ETIOLOGIA   OCORRÊNCIA   
Autoimune Associado à presença de anticorpos antitireoidianos; principal exemplo é tireoidite de Hashimoto.
Terapia com radiodo Surge, em geral, dentro do primeiro ano após tratamento com radiodo (4). É a segunda causa mais comum de hipotireoidismo (5).
Drogas

As seguintes drogas podem estar associadas à ocorrência de hipotireoidismo:

  • – Amiodarona;
  • – Carbonato de lítio;
  • – Contrastes iodados;
  • – Interferon alfa;
  • – Interleucina-2;
  • – Metimazol;
  • – Propiltiouracil.
Radioterapia externa

Como por exemplo, após irradiação para tratamento de linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin.

Disgenesia tireoidiana

Ectopia, aplasia, hipoplasia; causas de hipotireoidismo congênito sem bócio.

Defeitos congênitos na biossíntese de hormônios tireoidianos

Principal causa de hipotireoidismo congênito com bócio (5).

Baixa ingestão de iodo

Fator associado a bócio endêmico e hipotireoidismo.

Lesões da região hipotálâmica-hipofisária, ou como consequência do tratamento destas lesões

Estão associadas à ocorrência de hipotireoidismo central e incluem adenoma hipofisário, craniofaringeoma (crianças), apoplexia hipofisária, infecções, doenças infiltrativas, cirurgia, radioterapia.

Tireoidite subaguda

Quadro clínico de dor após infecção de vias aéreas superiores e de orofaringe. O hipotireoidismo, nesta situação, é reversível em quase 100% dos casos (6).

Tireoidite pós-parto

Reversível em até 80% dos casos, principalmente quando há títulos reduzidos de anticorpos antitiroperoxidase (anti-TPO) (6).

Tireoidite aguda

Processo infeccioso agudo que afeta a glândula tireoide por disseminação hematogênica ou implantação direta. Sua ocorrência é bastante rara e, quando extenso, comprometendo grande parte da glândula, pode levar ao hipotireoidismo. É mais comum em crianças, provavelmente devido a anomalias congênitas, como a persistência do cisto tireoglosso ou a presença de fístula do seio piriforme. Pode também ser observada em pacientes imunodeprimidos.

 

CLASSIFICAÇÃO DO HIPOTIREOIDISMO

 CLASSIFICAÇÃO   BASE PARA A CLASSIFICAÇÃO  OBSERVAÇÕES
Primário, Secundário ou Terciário Localização da deficiência hormonal

Primário: Caracterizado por níveis séricos reduzidos de T4 livre e níveis elevados de TSH;

Central (secundário e terciário): Caracterizado por níveis séricos reduzidos de T4 livre e níveis normais, reduzidos ou elevados de TSH (Observação: Em alguns casos de hipotireoidismo central, os níveis de TSH podem estar elevados, mas representam uma forma do hormônio com reduzida bioatividade intrínseca (5). Nos casos de hipotireidismo central, frequentemente há deficiência de outros hormônios hipofisários.

Subclínico ou Clínico Níveis séricos de T4 livre

Subclínico: Níveis séricos normais de T4 livre e T3 e elevados de TSH;

Clínico: Níveis séricos reduzidos de T4 livre (e eventualmente T3), com níveis aumentados de TSH.

 

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set 28, 2014 by

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