Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica


Revisão geral sobre o diagnóstico e tratamento da síndrome metabólica

Dr. Gilberto Paz-Filho

Conceitos Gerais Manifestações Diagnóstico Tratamento Acompanhamento

SÍNDROME METABÓLICA

PONTOS PRINCIPAIS

DEFINIÇÃO: A síndrome metabólica é uma associação de fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus e doença cardiovascular:

  • resistência insulínica
  • hipertensão arterial
  • dislipidemia
  • intolerância à glicose
  • estados pró-trombóticos e pró-inflamatórios

 

CAUSA PRINCIPAL: Multifatorial, envolvendo fatores ambientais, genéticos e moleculares.

 

QUANDO SUSPEITAR: Apesar da síndrome ser mais comum em obesos, atualmente qualquer indivíduo está sob risco de ser portador de pelo menos um dos seus critérios diagnósticos.

 

APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Obesidade abdominal, hipertensão arterial, dislipidemia e alterações do metabolismo da glicose. Condições associadas com a obesidade, tais como esteatohepatite não-alcoólica, síndrome dos ovários policísticos e apneia do sono podem estar presentes.

 

DIAGNÓSTICO: Há diversos consensos para diagnóstico da síndrome. Os mais utilizados são os do National Cholesterol Education Program’s Adult Treatment Panel III (NCEP ATP III) e do International Diabetes Federation (IDF):

NCEP ATP III (versão revisada): Presença de 3 ou mais dos seguintes critérios:

  • Obesidade abdominal, definida como circunferência de cintura > 102 cm em homens e > 88 cm em mulheres;
  • Níveis plasmáticos de triglicerídeos >150 mg/dL, ou tratamento medicamentoso para hipertrigliceridemia;
  • Níveis plasmáticos de HDL colesterol <40 mg/dL em homens e <50 mg/dL em mulheres, ou tratamento medicamentoso para HDL baixo;
  • Pressão arterial ≥130/85 mmHg, ou tratamento medicamentoso para hipertensão arterial;
  • Glicemia de jejum ≥100 mg/dL, ou tratamento medicamentoso contra hiperglicemia.

IDF: obesidade central associada a dois ou mais dos seguintes critérios:

  • Níveis plasmáticos de triglicerídeos ≥150 mg/dL, ou tratamento para hipertrigliceridemia;
  • Níveis plasmáticos de HDL colesterol <40 mg/dL em homens e <50 mg/dL em mulheres, ou tratamento para HDL baixo;
  • Pressão arterial sistólica ≥130, diastólica ≥85, ou tratamento para hipertensão;
  • Glicemia de jejum ≥100 mg/dL, ou diagnóstico prévio de diabetes mellitus tipo 2.

Mais recentemente, um consenso diagnóstico foi publicado conjuntamente pela IDF, National Heart, Lung, and Blood Institute, American Heart Association, World Heart Federation, International Atherosclerosis Society e International Association for the Study of Obesity. Neste consenso, o diagnóstico da síndrome metabólica é estabelecido de acordo com os critérios da IDF, porém, a obesidade central não é mais obrigatória.

 

TRATAMENTO: Tratamento os fatores subjacentes tais como sobrepeso, obesidade e sedentarismo através de dieta e prática regular de exercícios físicos associado a tratamento de cada um dos fatores de risco cardiovascular, caso persistam após modificação do estilo de vida.

INTRODUÇÃO

Inicialmente descrita por Gerald Reaven (1), a síndrome metabólica é uma associação de fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus e doença cardiovascular: resistência insulínica, hipertensão arterial, dislipidemia, intolerância à glicose e outras anormalidades metabólicas. Discute-se se a síndrome metabólica seria o mero agrupamento de fatores de risco não-relacionados ou se tais fatores teriam um mecanismo etiopatogênico comum. A própria existência da síndrome é questionada por muitos, inclusive pelo próprio Raven, por não ser útil como ferramenta para o diagnóstico e manejo das alterações metabólicas, ou para predição do risco de doença cardiovascular, principalmente em indivíduos saudáveis (2, 3, 4, 5). De fato, é questionável se o diagnóstico da síndrome confere maior risco de doença cardiovascular em comparação com a soma do risco conferido por cada um dos seus compontentes (2, 6).

A síndrome tem etiologia multifatorial, estando ligada a fatores ambientais, genéticos e moleculares. A resistência insulínica parece ser a base comum aos seus principais componentes (7), sendo a obesidade abdominal a manifestação clínica mais evidente. Hipertensão arterial, dislipidemia e alterações no metabolismo da glicose (glicemia de jejum alterada, intolerância a glicose ou diabetes mellitus) também podem estar presentes. Outras condições relacionadas à obesidade também são comuns, tais como hiperuricemia, esteato-hepatite não-alcoólica, síndrome dos ovários policísticos e apneia do sono e, finalmente, a doença cardiovascular aterosclerótica. O tratamento é baseado na modificação do estilo de vida, através de dieta e prática regular de atividade física, associada ao tratamento dos fatores de risco para doença cardiovascular (diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia), caso as medidas não-farmacológicas tenham sido ineficazes.

 

SINÔNIMOS PARA A SÍNDROME METABÓLICA

  • Síndrome X
  • Síndrome de resistência à insulina
  • Síndrome de obesidade e dislipidemia
  • Síndrome metabólica cardiovascular
  • Síndrome dismetabólica
  • Síndrome plurimetabólica

 

ETIOLOGIA DA SÍNDROME METABÓLICA

 ETIOLOGIA   OCORRÊNCIA     OBSERVAÇÕES 
Obesidade Comum Obesidade e sobrepeso são os principais fatores de risco para a síndrome. Por outro lado, a síndrome está presente em 5% dos indivíduos com peso normal, 22% dos pacientes com sobrepeso e 60% dos obesos (8).
Estilo de vida Comum  Inatividade física, estresse crônico, consumo abusivo de gorduras saturadas e tabagismo são mais prevalentes em pacientes com síndrome metabólica (8). 
 Uso de antipsicóticos atípicos Comum  O uso de antipsicóticos atípicos está associado ao ganho de peso e desenvolvimento de insulino-resistência, hiperglicemia e dislipidemia (9). 
Genética  Comum  Existe um padrão hereditário na síndrome metabólica. Variações no gene ADIPOQ, responsável pela codificação da adiponectina, estão associadas com obesidade visceral. Hipertensão está associada com variações no gene AGT, que codifica o angiotensinogênio. A concentração plasmática de lipídios está associada com variações nos genes APOE e APOC3, que codificam apolipoproteínas E e C-III. Além disso, o gene NR3C1, que codifica o receptor de glucocorticoide, está associado com obesidade, hipertensão e insulino-resistência. O ADIPOQ está associado com obesidade, hipertensão e dislipidemia. Outros genes candidatos para a patogênese da síndrome metabólica incluem o GNB3, FOXC2, SREBP1 (10).
Idade  Comum  O processo de envelhecimento está associado com aumento da insulino-resistência, aumentando a prevalência de síndrome metabólica em pessoas mais idosas, em 4 a 7 vezes (11). 
 Doenças lipodistróficas Incomum  Síndromes lipodistróficas congênitas ou adquiridas (como as decorrentes do uso de antiretrovirais contra o HIV) cursam com alterações na distribuição e na fisiologia do tecido adiposo. Tais pacientes apresentam lipoatrofia em algumas áreas e acúmulo de gordura visceral. Bioquimicamente, ocorrem dislipidemias e alterações no metabolismo da glicose (13). 
Deficiência de hormônio do crescimento Incomum  Cerca de 38% dos pacientes com deficiência de hormônio do crescimento têm síndrome metabólica. Porém, o tratamento de reposição com este hormônio não altera essa prevalência (14). 

 

 

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set 10, 2013 by

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